Ele se deu conta, de repente, que já tem doze anos de idade, mas não possui nenhuma lembrança de ter tido uma família ou um momento de carinho sincero. Ao contrário, a casa em que mora é um cativeiro, o homem a quem chama de pai é seu carrasco e a infância roubada se resume a prestar favores que seu corpo já não pode suportar. A reação pode lhe ser fatal, mas ele não consegue mais padecer a exploração da qual é vítima.

Além disso, é preciso descobrir sua própria identidade, no duplo sentido da palavra. Quem ele é? De onde veio? Como veio parar ali? Qual seu destino? Qual o seu caráter?

Para tentar descobrir sua verdadeira história, será preciso enfrentar seu algoz, tentar uma fuga quase impossível e afrontar autoridades constituídas, afinal, seu sequestrador representa para o município onde mora um papel de liderança, domínio e influências.

E agora? Será que ele vai conseguir?

Como pano de fundo a autora questiona a exploração sexual (de mulheres e de crianças), o tráfico de drogas e armas e a corrupção e a omissão das autoridades.

Neste excelente romance, diversão e reflexão se fundem, se confundem e se misturam para provar que nosso país ainda precisa melhorar em muitos setores da sociedade.